06 - Maria, a servidora

São Paulo (SP), 8/12/2004
 

É impressionante a beleza moral de Maria. Acaba de receber a maior noticia que uma jovem mulher jamais ouvira. Será a mãe do prometido Messias. O que faz ela? Vai lá na praça dar testemunho?  Com tanta gente hoje, agarrando microfones e, sem se aprofundar na catequese, como fez Paulo (     ) , já no mês seguinte, em várias igrejas dando apressadamente testemunho de fé, é de se imaginar que Maria fosse tentada a fazer isso. Não o fez.

Era pessoa madura. Fez antecipadamente o que seu Filho ensinaria o tempo todo: testemunho tem hora e lugar. Não o digam a ninguém. (    ) Ainda não é hora. Calem-se sobre isso. (    )  Não saiam por aí espalhando o que houve (   ) Conte, mas só para a sua família. (      )  Jesus ensinaria isso!

Maria fez o mesmo, trinta e poucos anos antes. Calou-se, meditou, guardou silêncio. (     ) Só contou para Izabel sua parenta que também tinha recebido semelhante graça. Qual foi a primeira atitude da humilde, pura e maravilhosa Maria? Ao invés de sair pelas praças e sinagogas ostentando o ventre e dando testemunho do que Deus ali pusera, foi depressa para uma cidade de Judá, para quê? ( Lc 1,39-56) Para ficar com sua parenta já idosa que engravidara. Ficou lá seis meses, servindo àquele que precederia e anunciaria o seu Filho. Maria, a mãe agradecida de humilde foi servir o profeta que anunciaria o seu Filho. Que mulher maravilhosa. Põe beleza nisso!

É por essa e outras razões que nós católicos a amamos tanto.  Não pensa em si; não tira vantagem de sua gravidez, não busca aplausos, apenas reconhece que ele virá por causa do seu Filho, ora pelos outros, vai servir Izabel e João e deixa Deus completar nela a obra que começara. Por isso é que a chamamos de "primeira cristã". Deus a preparara moralmente para esta missão. Seu comportamento o atesta. Mostrou-se digna de ser quem era. Não se aproveitou da grandeza do Filho, não fez ponta na pregação do Filho. Não apareceu às custas dele. Fez de tudo para não aparecer. Na hora da dor estava lá, na hora de servir estava lá e na hora de pedir pelos outros estava lá. Na entrada triunfal do dia de ramos e na Santa Ceia não se fala dela!  Mas, na cruz ela reaparece... Continuou sendo a serva do Senhor.

Que os pregadores e as pregadoras de agora, nós todos, aprendamos a usar o menos possível o pronome "eu" e o máximo possível o eles, o nós e o vós... Maria fez isso. Falou pouco, apareceu pouco, mas fez um belíssimo trabalho de bastidores. Pedagogia de mulher que, além de ser mãe, era santa!
 

Fonte: Pe. Zezinho, scj